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14/08/2018

Diálogo entre pais e filhos: Porque a palmada é desnecessária?

Por Camila Cury
Pais e mães podem passar por momentos de insegurança durante a criação de seus filhos. Não existe uma fórmula para transformar os pequenos em adultos responsáveis, seguros e felizes.

Muitos pais exageram na pressão e se esquecem de dar atenção ao desenvolvimento da inteligência socioemocional das crianças. Paciência, abertura e a busca constante por informação e aprendizado são as chaves para educar os filhos com confiança.

A Lei da Palmada, chamada também de Lei Menino Bernardo, em homenagem ao garoto Bernardo Boldrini, vítima de violência, em um caso ocorrido no Rio Grande do Sul, que entristeceu o país, está em vigência no Brasil desde 2014.

A Lei Menino Bernardo não impede que os pais estabeleçam limites aos filhos. Os limites são fundamentais no desenvolvimento psicológico das crianças. Ela é mais um instrumento social para proteger crianças e adolescentes de alguns pais, que não protegem e educam seus filhos e optam pela agressão em suas relações. 

Mas, por quê? Apesar da lei, a palmada é desnecessária?

Pois o diálogo é a chave da boa relação em família. Uma comunicação entre pais e filhos, de forma saudável e positiva, tem influência na educação, tornando mais fácil a compreensão e reflexão sobre o que é transmitido, em vez de focar em ordens e obediência. Além disso, a relação e a convivência da família também se tornam mais tranquilas, agradáveis e enriquecedoras, melhorando o clima familiar.

Uma pesquisa realizada pelo meu pai, o psiquiatra e autor Augusto Cury, concluiu que mais de 50% dos pais nunca tiveram coragem de dialogar com seus filhos sobre seus medos, perdas e frustrações.

Ao nos abrirmos para o diálogo, conhecemos as necessidades e anseios do outro, o que permite nos reconhecermos também. Um bom exercício de comunicação é tentar se colocar no lugar do outro e refletir como ele pensaria ou se sentiria sobre uma determinada atitude, agindo com empatia.

Educar é necessário e, às vezes, nesse processo, é preciso corrigir, mas é preciso tranquilidade para fazê-lo. Ao invés de gritar, por exemplo, seria mais interessante se mostrar disponível para dialogar, conversar, explicando claramente os motivos que levaram a essa repreensão, evidenciando que o papel do pai é estar ali para ajudar no que for preciso.

Faz toda a diferença dar atenção aos aspectos positivos dos seus filhos. Valorizar as qualidades e ter uma boa conversa transformará a relação entre pais e filhos.

*Camila Cury é Psicóloga e Diretora Geral da Escola da Inteligência, Programa Educacional idealizado pelo renomado psiquiatra, escritor e pesquisador, Augusto Cury, que tem como objetivo desenvolver a educação socioemocional no ambiente escolar.