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12/05/2018

'Mães de anjos' ajudam famílias a superar a perda gestacional e neonatal

Grupo de apoio Amanhecer é composto por mais de 200 mães, que através de depoimentos contam suas histórias de superação.
Grupo de apoio Amanhecer ajudam famílias a superar a perda gestacional e neonatal (Foto: Arquivo pessoal)
A chegada de um filho é um dos momentos mais esperados por muitas mulheres, e perdê-lo pode ser a dor mais terrível na vida de uma mãe. Pensando em transformar a dor dessa perda, o grupo Amanhecer presta apoio às mães que sofreram perdas gestacional ou neonatal, chamadas de "mães de anjos".

Com a chegada do Dia das Mães, as possíveis lembranças dolorosas são inevitáveis, mas neste sábado (12) o G1 conta a história de amor e superação das mães que decidiram ajudar umas às outras através do grupo de apoio.

O projeto foi idealizado pela bancária Márcia Torres em 2016, um mês após perder sua filha Aurora, que faleceu quando ainda estava na barriga, faltando apenas cinco dias para nascer.

“Na última consulta do pré-natal eu não ouvi os batimentos, fui encaminhada para urgência e aí descobrimos que minha bebê tinha morrido. Era uma gestação normal, eu não tive nenhum problema, foi assim, de repente”, relatou.

Após uma análise e consultas com especialistas, foi descoberto que um trombo no cordão umbilical impediu que Aurora recebesse oxigênio. Só a partir daí a bancária soube que tinha trombofilia hereditária, e que precisaria injetar enoxaparina todos os dias, no total 232, para que seu próximo filho, Joaquim, pudesse se desenvolver corretamente.
Bancária Márcia Torres guardou todas as ampolas do medicamento que tomou para conseguir dar à luz Joaquim (Foto: Figueira Fotografia)
Precisando desabafar, Márcia começou a procurar por outras mães de anjos, que também perderam filhos, para trocar experiências e superar, juntas, a perda. E a partir daí, diversas mães começaram a participar do grupo, que hoje possui mais de 200 pessoas.

O grupo busca ainda sensibilizar os profissionais de saúde para que as mães que perderam seus filhos sejam colocadas em leitos específicos, longe da maternidade.

E com a ajuda e depoimento de todas as mães que participam do grupo, foi elaborada uma cartilha com orientações de acolhimento às mães, famílias e profissionais que lidam diretamente com a morte de bebês.

Apesar de tratar de um assunto delicado, as mães de anjos dizem que os encontros presenciais realizados pelo grupo são cheios de alegria e deixa todos os integrantes das famílias renovados.

“Esse encontro é um espaço para falarmos sobre nossos filhos, porque apesar de eles terem morrido, a gente se sente mãe, a gente sempre vai ser mãe, você se torna mãe a partir do momento que engravida. Falar sobre o seu filho não é deprimente para a gente, é algo bom”, afirma Márcia.

A fisioterapeuta Rafaela Sampaio, concorda com a bancária, ela entrou no grupo há um ano, após perder os gêmeos Rafael e Antônio.

“Não é algo triste. Lógico que temos momentos emocionantes e choramos ao contar nossas histórias, ao ouvir outras. Porém, eu saio dos encontros aliviada, leve…”, declarou.

O grupo é fechado e além de necessitar de alguns requisitos, os participantes passam por uma entrevista com as administradoras, para que outras pessoas não tenham acesso ao conteúdo e acabe invadindo a privacidade das mães.

“A palavra tem poder de cura, então você falar sobre o assunto e saber que outra pessoa vivenciou a mesma coisa que você, de certa forma traz um conforto, porque muitas mães acham que só acontece com elas”, disse a bancária.
Coordenação do grupo de apoio Amanhecer (Foto: Arquivo pessoal)

Apoio psicológico

Em meio aos depoimentos das integrantes do grupo, foi sendo percebido que muitas mães que perdem seus filhos em hospitais não tinham acompanhamento psicológico. Por isso, uma parceria entre o Amanhecer e o Centro Universitário Tiradentes (Unit) proporciona atendimento gratuito a essas mães.

“É essencial ter um acompanhamento psicológico quando você enfrenta uma morte muito traumática, você tem necessidade de se abrir, de conversar. Por isso, a gente procurou a coordenadora do curso na Unit e ela se mostrou muito sensível a temática”, relatou Márcia.

Para receber o atendimento não é necessário participar do grupo de apoio, basta comparecer à Clínica Escola de Psicologia da Unit, localizada na Avenida Comendador Gustavo Paiva, nº 5017, em Cruz das Almas, Maceió.

Por G1 AL