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04/03/2018

Presidente diz que não "jogou a toalha" sobre Reforma da Previdência e que pode ir a reeleição em 2018

Entrevista exclusiva concedida pelo Presidente da República, Michel Temer, ao RedeTV News 
Jornalista: Nós estamos recebendo hoje, no RedeTV News, a presença do presidente da República, Michel Temer. É uma satisfação, presidente, tê-lo conosco aqui, na RedeTV. E eu fico feliz em perceber que o senhor está vivo, apesar de o senhor não ter conseguido provar. Que história é essa, presidente?

Presidente: É, vocês sabem Bom, primeiro, muito prazer em estar com você e a Amanda, já estivemos várias vezes juntos, sempre com muito gosto. Mas, em segundo lugar, você sabe que é interessante, há esta burocracia. Eu sou aposentado aqui, pelo estado de São Paulo, e tenho que provar, a cada aniversário, que continuo vivo, ou seja, tenho que comparecer ao setor competente e revelar, por uma declaração, que estou vivo. Agora, no meu caso, é evidente que, enfim, diariamente pode-se ver que eu continuo vivo. Mas o fato é que, como não compareci nos meses, acho que novembro e dezembro, não houve pagamento da minha aposentadoria, não é?

Jornalista: Presidente, o senhor não acha que isso é uma grande bobagem? Na época da computação, da tecnologia, as pessoas, geralmente idosas, aposentadas, têm que ir à agência do banco, com um monte de exigência, se apresentar para dizer: Olha, eu estou vivo.

Presidente: É. Era preciso encontrar uma forma - não é, Bóris? - intermediária que, em casos como esse que você está mencionando, não é o meu caso, mas em casos como esse que você está mencionando, houvesse uma fórmula, digamos, um atestado qualquer, que revelasse exatamente isso, não é?

Jornalista: Agora, quando a pessoa morre, tem um atestado de óbito. Claro, isso está tudo no computador.

Presidente: Claro, claro.

Jornalista: É uma coisa antiga. Se a apresentar olha, eu estou vivo, Ah, prazer.

Presidente: É, eu acho que isso vai mudar, vai mudar. Quem sabe o meu exemplo possa servir para isso.

Jornalista: O senhor podia tomar a iniciativa, não é?

Presidente: Não, mas a primeira coisa é que, você vê, me agradou muito ser tratado como um brasileiro, não é? Enfim, eu tenho que comparecer para mostrar que estou vivo. Acho que é um tratamento igualitário que, digamos, engrandece as instituições.

Jornalista: E está bem de saúde também, presidente? Muita gente se preocupa com a sua saúde. Como é que o senhor tem passado?

Presidente: Olha, basta olhar para mim, não é? Eu estou ótimo, eu estou muito bem. Tive algumas intervenções cirúrgicas, mas muito rápidas e que me colocaram você sabe que é até interessante, Amanda, essa coisa - viu, Bóris? - essa coisa do stent - eu coloquei dois stents, na

Jornalista: No cateterismo, não é?

Presidente: É, nas artérias, não é? Mas isso melhorou muito a qualidade de vida porque, você sabe que, como presidente, você tem que trabalhar 16, 17, 18 horas por dia. Eu sentia, na verdade, um certo mal-estar, assim, generalizado, não é? Mas hoje absolutamente eu não tenho mais. Já me diziam isso, e é verdade. Você, acho que o oxigênio passa com maior facilidade pelas artérias, não é?

Jornalista: Eu sou testemunha disso, eu tenho stent também.

Presidente: Aí.

Jornalista: Melhorei muito.

Presidente: Hoje ele está sempre bem disposto.

Jornalista: Eu fico como testemunha dos dois.

Jornalista: Presidente, uma perguntinha: a Lava Jato ajuda ou atrapalha?

Presidente: Nem ajuda, nem atrapalha. Ela cumpre a sua função. Aliás, a principal função que ela cumpre é a revelação, aos olhos de todos os brasileiros e, especialmente, no estrangeiro, que as nossas instituições estão funcionando regularmente. Se as instituições não funcionassem regularmente a gente poderia: Ah, atrapalha, não atrapalha, ou ajuda, não ajuda. Ela tem que existir, nos limites e, evidentemente, na lei. Aliás, ontem ainda, na abertura do ano Judiciário, a nossa querida amiga e presidente do Supremo Tribunal Federal, pregou muito essa história do cumprimento da legalidade, na ideia de que o Direito existe exatamente para regulamentar as relações sociais. O que está acontecendo com isso é a Lava Jato. Ganha nomes, assim, digamos, simbólicos, não é? Mas, enfim, os processos investigatórios e criminais disso que se chama Lava Jato estão seguindo normalmente. É uma revelação de como as nossas instituições funcionam com toda a regularidade, não é?

Jornalista: Presidente, por falar em instituições, na abertura do ano Judiciário eu percebi ontem, todas as pessoas perceberam, me chamou muito a atenção, achei eloquente, aquela imagem em que só o Poder Judiciário fala, através, naturalmente, da presidente Cármen Lúcia, e o Executivo e o Legislativo se calam. O senhor tinha um discurso, tinha um papel na sua frente, por que o senhor não o leu?

Presidente: Deixa eu dizer a você. Na verdade, a programação seria a seguinte: os chefes do Legislativo, Câmara e Senado, falariam e, de igual maneira, eu falaria. Mas quando cheguei lá, disseram-me que o presidente Eunício e o presidente Rodrigo Maia não falariam. Aí eu achei um pouco inconveniente que só eu falasse. Conversei com a Cármen Lúcia, com a ministra Cármen Lúcia, disse: Olhe, Cármen, eu acho melhor também eu não falar. A abertura do ano Judiciário, o importante é a presença física, reveladora daquilo que é indispensável para o nosso público, não é? A ideia da harmonia entre os Poderes. Ou seja, lá estava o Legislativo, o Executivo e o Judiciário. Uma palavra a mais ou a menos, naquilo, acrescentaria pouca coisa.

Jornalista: E era isso que tinha no seu discurso? Ia falar sobre a harmonia entre os Poderes?

Presidente: Não, você sabe que eu estava com um discurso, sempre preparam um discurso escrito, mas eu nunca uso. Normalmente, eu verifico qual é o ambiente, qual é o clima que existe naquele momento e digo algumas palavras, não é? Mas eu iria dizer exatamente isso, que naquele momento estaria se revelando a harmonia entre os Poderes. E da harmonia entre os Poderes como nós, porque nós somos autoridades constituídas, não é? Nós não somos autoridades por conta própria. A única autoridade, no nosso sistema, é o povo, ninguém mais. Então, eu digo: esta revelação da presença de todos, de alguma maneira busca uma certa pacificação nacional. Porque, veja que, hoje, o Brasil está um pouco conflagrado, não é verdade? Há disputas as mais variadas. E disputas que chegam até, digamos, não apenas no argumento. Muitas vezes, num argumento muito não só vigoroso mas, às vezes, agressivo, quase ofensivo. Primeiro ponto. Segundo ponto, há até, muitas vezes, manifestações físicas, não é? Agressões de natureza física. E isso não é comum no brasileiro. Eu sempre prego: nós não queremos brasileiro contra brasileiro, nós queremos brasileiro com brasileiro, como sempre aconteceu. Acho que o episódio de ontem revelou exatamente isso: uma harmonia entre os Poderes, que se reflete positivamente por aqueles que nos assistiram.

Jornalista: Presidente, nosso colega Reinaldo Azevedo infelizmente não pôde estar fisicamente aqui, mas deixou gravadas algumas perguntas, a sua participação no RedeTV News. Vamos ouvir. Ele tem uma pergunta sobre reforma da Previdência.

Jornalista: Presidente, reformas da Previdência, no mundo inteiro, dão problema, não só aqui no Brasil, não é? Porque se cria o mito e, às vezes, é fato, de que os trabalhadores mais pobres é que pagam a conta do desajuste e do ajuste. O que eu lhe pergunto é o seguinte: por que é que a sua reforma, ou a reforma que o senhor encaminhou, já bastante mitigada, é diferente dessas reformas que, segundo consta, pune os mais pobres? A sua reforma tem, sim, um peso maior sobre os mais pobres, não? Porque se diz, muitas vezes: não serão os trabalhadores privilegiados. Então, resuma, presidente, para o brasileiro que está vendo o senhor agora, porque é que a sua reforma é diferente das reformas que se fizeram mundo afora e que, muitas vezes, puniram, sim, os trabalhadores.

Presidente: Olha, Reinaldo, em primeiro lugar eu quero dizer que é zero de punição para os mais pobres, ao contrário, ela protege os mais pobres. Eu dou dois exemplos fundamentais. Um primeiro, você pega a questão dos trabalhadores rurais, que têm uma aposentadoria especial. Isto pega muito o Norte e o Nordeste e, igualmente estados como o Rio Grande do Sul. Os trabalhadores rurais estão fora dessa reforma. Segundo ponto, você tem o chamado Benefício de Prestação Continuada, que alcança os deficientes físicos, que estão inteiramente fora dessa reforma, e também alcança aqueles que muitas vezes ganham um salário mínimo, trabalham e só conseguem aposentar-se com 65 anos, por causa da interrupção das contribuições. Muitas vezes o sujeito trabalha cinco anos num lugar, interrompe dois, três anos, e não completa o tempo de contribuição, então ele vai até os 65 anos. Ora, nós reduzimos o tempo de contribuição para 15 anos. Portanto, mesmo aqueles mais pobres, mais carentes, que ganham um salário mínimo, poderão aposentar-se antes dos 65 anos. O que ele faz, o que a reforma faz, e faz baseado no princípio da igualdade, que é uma das âncoras, é um dos fundamentos da nossa Constituição.. É fazer com que tanto o trabalhador do setor privado quanto o trabalhador do setor público, ganhem a mesma coisa, em termos de aposentadoria. O teto da aposentadoria é R$ 5.645.

Jornalista: Mas a sensibilização não está mudando um pouco isso? Não flexibilizou? As possíveis mudanças no texto.






Presidente: Muda, no sentido de que (inaudível) servidor público, mais de R$ 5.645, vai ter que fazer uma previdência complementar. Então, o sujeito ganha R$ 30 mil, ele poderá se aposentar com R$ 30 mil. De que maneira? Ele vai ter que fazer uma previdência complementar, uma espécie de poupança, portanto, todo mês ele vai tirar um pedaço do seu salário, dos seus vencimentos, e vai fazer esta previdência complementar. É uma das únicas modificações. Mas, por incrível que pareça, isso gera uma vantagem, uma economia para o Estado brasileiro, ao longo de dez anos, cerca de R$ 600 bilhões. Ora, este é um primeiro argumento. O segundo argumento é o seguinte: se você não fizer uma reforma da Previdência agora, daqui um, dois, três anos, acontecerá o que acontece em vários estados brasileiros em que os aposentados não puderam receber, e em Estados estrangeiros, vide a Grécia e Portugal. Tiveram que cortar 20% a 30% das pensões, das aposentadorias, e até dos vencimentos dos servidores públicos. Então nós estamos fazendo - estou respondendo aqui ao Reinaldo, não é? - nós estamos fazendo uma reforma da Previdência que ela se estabelece para o futuro. Eu confesso que, neste ano, por exemplo, eu resistiria, apesar do déficit. Olha aqui, numericamente é impressionante. Quando você diz que, no ano passado, o déficit foi de R$ 268 bilhões e que, no ano que vem poderá ser R$ 320 ou 330 bilhões, isso significa que o Brasil pode parar. E por isso que esta reforma, ainda suave, pode resolver este problema, para que os aposentados continuem a receber, os que vão aposentar continuem a receber, possam receber, e os servidores públicos possam receber.

Jornalista: E que o País não quebre, não é?

Presidente: Claro, sem dúvida alguma. Aliás, não está quebrando não, porque está melhorando cada vez mais.

Jornalista: Não, mas se continuar nesse ritmo...

Presidente: Se continuar, quebra.

Jornalista: Presidente, a população tem uma preocupação muito grave, e os casos estão mais focalizados no Rio de Janeiro e, agora, no Ceará, com a questão da segurança pública. Não chegou o momento de se colocar a mão na ferida, procurar unificar as polícias, procurar aprimorar a legislação, mexer nos presídios onde estão as raízes dessas verdadeiras corporações de bandidos? O senhor foi secretário da Segurança Pública de São Paulo, o senhor conhece bem o problema. Mas a impressão que se tem é que as medidas são supérfluas, não há um tocar nas feridas graves da segurança pública. Não é chegado o momento?

Presidente: Olhe, Bóris, aí são duas vertentes, não é? Uma primeira é que, constitucionalmente, você tem as competências do estado e tem as competências da União. Então, a União cuida de alguns delitos, referentes ao delito de natureza federal, e o estado, os estados, cuidam dos delitos, vamos chamá-los delitos locais. Mas nós já colocamos o dedo na ferida, pelo seguinte: eu mudei o nome, a denominação do Ministério da Justiça, que era Justiça e Cidadania para Justiça e Segurança Pública, e peguei a cidadania e criei o Ministério de Direitos Humanos. Então, a partir daí nós já começamos a interferir muito mais na questão da segurança pública. Mas eu penso agora, até há ideias que nós estamos estudando, até para, quem sabe, criar mesmo, na área federal, um Ministério da Segurança Pública. Embora, reitero, Justiça já é Justiça e Segurança Pública. E veja que, desde o ano passado, nós já estamos, digamos assim, chamados que somos pelos estados, para a garantia da lei e da ordem, eu tenho colocado até, Bóris, Amanda, as Forças Armadas, que nem é competência das Forças Armadas, não é?

Jornalista: Nem sabem policiar, essa é a verdade. São treinadas para a guerra.

Presidente: É, mas quando eles vão para lá, eles colocam ordem na casa. Você sabe que está sendo assim, foi assim no Rio de Janeiro, foi assim no Amazonas, foi assim no Rio Grande do Norte.

Jornalista: Mas a segurança pública só tem piorado. Antes do seu governo. Eu não vejo nenhuma melhora na segurança pública hpa anos.

Presidente: Nós vamos entrar mais fortemente nisso. Na medida das nossas competências. Não é improvável, ainda ontem nós fazíamos uma reunião a respeito desse assunto, com as várias áreas interessadas e ouvidas, não será improvável que nós tenhamos que fazer até uma modificação de natureza constitucional.

Jornalista: Claro, essas competências precisam ser reformadas.Quer dizer, a União...

Presidente: Claro. Esta é a primeira preocupação hoje.

Jornalista: Seria uma competência da União e não só dos estados, a segurança pública?

Presidente: É, quer dizer, uma competência, digamos, concorrente, não é? Porque a ideia é que haja uma coordenação geral a ser feita pela União, juntando os governadores, juntando secretários da Segurança, pelo menos uma vez por mês, para verificar qual é a questão dos estados, não é? Mas nós, olha aqui, no ano passado nós destinamos verbas para 25 penitenciárias nos estados da Federação brasileira. Lamentavelmente, as verbas foram para lá e não houve ainda a execução dessas penitenciárias. Porque um dos grandes problemas é o problema penitenciário. Vocês se recordam que, no final de 2016, houve inúmeras rebeliões, foi quando eu chamei as Forças Armadas, e elas colaboraram, foram ajudar a fazer as varreduras lá, nos presídios, não é? E encontraram coisas absurdas, não é, Bóris? Tipo, há um presídio lá de Roraima, tem mil presos, eles encontraram 800 facões, não são facas, são facões, fora celulares e outras tantas coisas, não é? Nós estamos Nós temos que nos preocupar com isso

Jornalista: Com a competência das autoridades, naturalmente. A gente tem mais uma perguntinha do Reinaldo. Antes, eu só queria fazer uma indagação ao senhor, só para fechar esse assunto da reforma da Previdência. Porque o discurso do governo, principalmente ontem, tem sido no sentido de jogar a toalha. O senhor mesmo disse que fez a sua parte, o ministro Eliseu Padilha disse que deve haver uma parada e que em fevereiro. A entrevista hoje, no Estadão, dá a impressão que o senhor está jogando a toalha: eu já fiz a minha parte. Que é hora de parar a batalha, em fevereiro. Muitos deputados assumindo publicamente que não há votos e nem haverá votos até 19 de fevereiro. Significa que o governo acha que é muito difícil aprovar a reforma da Previdência?

Presidente: Mas, então, eu vou aproveitar o programa aqui para dizer a todos que eu nem peguei a toalha ainda, não é? Imagine jogá-la. Pelo contrário, eu estou aqui, falando sobre a Previdência. A única coisa que nós estamos dizendo é que, de fato, você não pode continuar com esse tema o ano todo. Então, temos dito o seguinte: olha aqui, tem que votar, pelo menos no primeiro turno, agora no mês de fevereiro.

Jornalista: Mas o governo reconhece que é difícil ter os votos para aprovar a reforma.

Presidente: Não, sabe que nós estamos avançando? Nós temos, hoje, mais ou menos, pelo menos contabilizados, cerca de 271 votos. Falta ainda uns trinta e pouco, 40 votos. Mas o Congresso reabre na segunda-feira, o presidente Rodrigo Maia está ajudando muitíssimo. De igual maneira o presidente Eunício, do Senado Federal. E nós estamos trabalhando quase um corpo a corpo, para verificar se nós vamos buscar esses votos aí. Quando tivermos os 308 votos, nós vamos colocar para votar. Bom, agora quero dizer o seguinte: por que é que nós estamos fazendo E eu estou aqui no vosso programa, vários dão entrevistas, por que é que nós divulgamos um esclarecimento, uma espécie de publicidade, dizendo o que é exatamente a reforma da Previdência? É para que o Congresso, que ecoa o voto popular, o desejo popular, possa receber do povo a notícia: Olha aqui, é importante votar a Previdência. E daí o parlamentar se sente mais confortável para votar.

Jornalista: Se não chegar aos 308 votos, coloca para votar de qualquer forma, e cada um que assuma a sua responsabilidade?

Presidente: Isso nós vamos verificar até o dia da votação.

Jornalista: Bom, vamos ouvir, então, mais uma pergunta do nosso colega Reinaldo Azevedo. Presidente, o senhor chegou ao poder, ainda como interino, com um País que tinha vivido uma recessão de 3,6%. Neste ano, é muito provável, a gente vai crescer 3,5 ou mais. A inflação estava em 10%, agora 2,95%. A taxa Selic em 14,25%, agora 7%. O emprego está em franca retomada e, segundo o Datafolha, o brasileiro está otimista, em três anos é a fase que o brasileiro está mais otimista. Como o senhor explica, então, essa popularidade baixa do governo, essa baixa adesão da população ao trabalho do governo? O que é que está dificultando aí a comunicação do governo com a população? O senhor acha que ainda haverá, digamos, esta aproximação? O senhor acha que os brasileiros ainda reconhecerão o seu trabalho? Eu reconheço. Eu, como jornalista, digo sim, eu acho que é um grande trabalho. Agora, eu sou apenas um voto. Eu quero saber se o senhor acha que o conjunto dos brasileiros, ou a maioria deles vai reconhecer aquilo que está sendo feito.

Presidente: Olhe, você sabe, Reinaldo, que muitos dizem: Ô, Temer, como é que é essa impopularidade, etc.? Eu digo: Olhe, ainda bem, porque se eu quiser ser popular, eu não faria as reformas que o Brasil precisa. Eu não ia entrar na questão do teto dos gastos públicos, que o que o governante mais quer é gastar o que puder, não é? Ninguém quer gastar apenas aquilo que arrecada.

Jornalista: Aliás, o senhor assumiu em condições terríveis. Essa era a herança maldita mesmo.

Presidente: Claro, claro. E veja que, ao longo desse período, com o teto dos gastos, com a modernização trabalhista, com a reforma do ensino médio, com a inflação caindo, como caiu, com os juros caindo, como caíram, não é? Nós estamos consertando o País. Por quê? Exata e precisamente porque eu não tive preocupação com a popularidade. Quando você está, por exemplo, num clima eleitoral, você começa a dizer: Ah, não vou mexer nesse ponto, porque vou perder votos. Eu não tinha nenhuma preocupação como essa. Cheguei ao poder pela via constitucional e, portanto, fui realizando aquilo que o Brasil precisa, não é? Então, digamos assim, o fato da impopularidade é até pessoal, não é exatamente do governo, não. Mas é uma impopularidade pessoal curiosa viu, Bóris, viu, Amanda? Toda vez que há uma coisa qualquer contra a figura do presidente da República, você não encontra um cidadão na rua, você não encontra uma pessoa na rua dizendo: Olhe, precisa tirar o governo, você não encontra isso. O que, talvez, ainda não chegou, muitas vezes, aos mais variados setores tudo aquilo que o governo está fazendo, porque está começando agora. Você veja, a indústria, vamos dizer, a safra é uma coisa fantástica, não é? No ano passado. A indústria, que tinha dificuldades, no mês de dezembro 2,8%. O varejo cresceu enormemente, em face até da liberação das verbas do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço. Os índices estão crescendo fantasticamente. A Bolsa de Valores, minha gente, foi a 85 mil pontos. Sabe qual era o máximo? 65, 66 mil pontos.

Jornalista: Presidente, o senhor está falando como candidato. É, eu também estou ouvindo esse discurso aqui. Também me passou essa impressão.

Presidente: Eu estou falando como presidente entusiasmado do Brasil, não é? Eu acho que eu fico muito feliz porque também, viu, eu não estou falando de um governo de quatro anos ou oito anos. Eu estou falando de um governo de um ano e oito meses, que sofreu uma oposição feroz.

Jornalista: Presidente, o MDB encomendou uma pesquisa nacional, quer saber se o senhor tem chance na disputa eleitoral, justamente por causa desses bons números na economia que devem se intensificar e se revelar ainda mais, ao longo deste ano. Não seria natural que o senhor colocasse o seu nome na disputa, que o senhor concorresse?

Presidente: Não, mas você sabe que esta é uma matéria, Amanda, que nós vamos examinar mais ou menos no mês de junho. Porque você, a partir de julho é que você tem inscrições, etc.

Jornalista: Então eu posso escrever que o senhor não elimina a possibilidade de estar nessa eleição?

Presidente: Não, não. Pode dizer que o meu papel, agora, é fazer o melhor governo possível para que, digamos assim, no futuro - não me interessa a popularidade agora - mas num futuro muito próximo, como disse hoje em Cabrobó, quando acionei lá a máquina que reinaugura ou inaugura, praticamente, uma parte do Eixo Norte da transposição do Rio São Francisco. Eu disse: Olha aqui, a única coisa que eu quero é ser lembrado como um presidente reformista. Um presidente que teve a coragem de fazer reformas que vários outros presidente que passaram não tiveram, digamos, a ousadia de fazê-lo, não é?

Jornalista: O senhor não vai escrever nenhum livro, presidente? Os presidentes da República, alguns deles, têm livros escritos.

Presidente: Mas eu não anoto nada. Você sabe que tem gente que anota, diariamente, tem presidente que anota o que aconteceu, o que não aconteceu, eu não anoto. Agora, eu tenho boa memória. É possível que, lá para a frente, de repente seja útil contar um pouco da nossa história, que também é uma parte da história do Brasil, não é?

Jornalista: Presidente, os dois pré-candidatos do centro político, do seu grupo, o Henrique Meirelles e o Rodrigo Maia, apareceram com 1% das intenções de voto, em pesquisa Datafolha, apesar de estarem intensificando viagens e campanhas, nesses últimos meses. Por que um número tão baixo?

Presidente: Bom, em primeiro lugar, eu diria a você, Amanda, que a pesquisa de hoje não vale absolutamente nada para o dia das eleições. Nós temos inúmeros exemplos de candidatos a governadores, prefeitos, que começaram com 1, 2, 3% e ganharam a eleição, em face de outro, que já tinha 30, 35%. Então, a pesquisa que vai valer - vou dizer o óbvio, não é? -, é a pesquisa da véspera da eleição. Então, isto não significa nada. Eu acho que quem tem 1% hoje pode ter 30, no final da campanha eleitoral. Eu acho que isto é um mero indicativo, e nada mais do que isso. Até porque, convenhamos, eles não se apresentaram ainda como candidatos, não é? Fala-se que, mas ninguém chegou e disse: Olha, eu sou candidato.

Jornalista: Presidente, é um panorama confuso. O senhor acha que pode surgir alguém, um (incompreensível) perigoso para o Brasil?

Presidente: Olhe, Bóris, eu acho que o eleitor é sempre muito sábio. Essa história de dizer que o eleitor não sabe votar é conversa. O eleitor faz uma análise do que está acontecendo, e vai para a urna, todos eles, sem exceção, vai para a urna pedindo alguém que consiga colocar o País nos trilhos, alguém que consiga, com uma certa moderação. O brasileiro não quer radicalização, não. Todo e qualquer radicalismo, o brasileiro sempre repudiou e, ao meu modo de ver, continuar a repudiar. Então, nesta eleição, o que vai acontecer é o seguinte: o eleitor vai pegar e vai dizer qual é o programa desse candidato? O que ele vai fazer por mim e, naturalmente, pelo Brasil. Eu confio nele? Porque isso é uma outra coisa. Você tem que, se me permitem a expressão livre, ir com a cara do candidato. Você tem que olhar para ele e dizer eu acredito, acredito nele. Eu tenho absoluta convicção de que o eleitor vai fazer isso.

Aliás, olhe, que coisa curiosa, vou registrar um fato. Eu cheguei ao governo com um programa preestabelecido, que é A Ponte para o Futuro, que até naquela oportunidade, vocês acompanharam, nós produzimos esse documento como colaboração ao governo então vigente. Mas, naquela oportunidade, aquilo foi tido como um gesto de oposição, não sei por que razão. Mas o fato é que, chegando ao poder, e pode consultar lá a Ponte para o Futuro, lá está o teto de gastos, está a reforma do ensino médio, está a reforma trabalhista, está a reforma previdenciária e está a simplificação tributária, que eu quero fazer, logo depois. É interessante, sem ter sido eleito, vamos dizer assim, diretamente, embora tendo sido eleito na chapa, nós estamos aplicando um programa, como nunca aconteceu no Brasil.

Jornalista: Presidente, os Estados Unidos deram, agora, no governo Trump, uma bela reduzida nos impostos, falando em política tributária. Uma redução que vai atrair capitais, vai dificultar nossas exportações e vai facilitar, no mínimo, as exportações americanas. O que que nós vamos fazer para tentar contornar, enfrentar esse problema?

Presidente: Em primeiro lugar, eu vou repetir aqui, Bóris, uma simplificação tributária, uma espécie de desburocratização no sistema tributário.

Jornalista: No seu governo ainda?

Presidente: No meu governo, sem dúvida. Porque o cipoal tributário que existe, ele é assustador para o investidor brasileiro e o investidor estrangeiro. Você sabe que eu viajo muito por aí e sempre recebo essa espécie de queixa: é preciso desburocratizar o sistema tributário. Agora, se nós conseguirmos aprovar a reforma da Previdência, por exemplo, na sequência de todas as reformas que foram aprovadas, não é improvável que a arrecadação aumentando cada vez mais, um dia nós possamos reduzir a carga tributária. Seria útil. Eu penso nisso, mas eu penso responsavelmente. Não vou reduzir carga tributária como um gesto populista, mas como um gesto de responsabilidade com o País. Acho que isso pode vir a acontecer.

Jornalista: Presidente, nós temos, ainda, mais uma pergunta do Reinaldo Azevedo. Vamos ouvir. Presidente, todos os elementos objetivos, prospectivos, no entanto, que nos projetam para o futuro, indicam, a meu ver, que haverá um candidato de esquerda no segundo turno. Acho pouco provável que o Lula dispute, mas acho absolutamente provável que o Lula tenha um candidato seu, no segundo turno, e ele chegará ao segundo turno prometendo fazer o Brasil andar para trás. Quando eu digo andar para trás, é porque eu não gosto das propostas do PT, eu sou um liberal, e o PT proporá uma reforma anti-liberal. Ele vai tentar reverter a reforma trabalhista, se houver a reforma da Previdência tentará revertê-la também, e dirá que isso tudo deve ser feito em benefício dos trabalhadores. Eu pergunto ao senhor: os seus aliados, hoje, os líderes da base aliada, na sua opinião, se deram conta de que haverá, sim, um candidato de esquerda disputando o segundo turno e de que, portanto, a única chance de o centro competir com esse candidato de esquerda é se unir desde já, defendendo, inclusive, aquelas que são as conquistas do governo? E emendo, então: se o candidato A, ou B, ou C, se negar a fazer a defesa da herança do governo, eu quero saber se o senhor mantém a disposição - e eu acho que deve manter - de ter um candidato que defenda a herança do governo Temer.

Presidente: Olhe, Reinaldo, em primeiro lugar, eu acho que está, este grupo todo que você mencionou, está se convencendo dessas suas afirmações. Portanto, terá que haver um candidato que defenda as reformas. Porque, aqui eu digo o seguinte: é interessante, quem for da oposição e quiser combater o governo, vai ter que dizer o seguinte, Bóris e Amanda, vai ter que dizer o seguinte: Olhe aqui, eu sou contra o teto dos gastos públicos, porque eu quero gastar à vontade, quero derrubar o País, quero gastar à vontade; eu sou contra a reforma do ensino médio, porque eu sou a favor daquele ensino anacrônico e superado que se verificou no passado; eu sou contra a modernização trabalhista, que gerou, só neste quadrimestre, 1 milhão e 300 ou 400 mil postos de trabalho; eu sou contra essa inflação ridícula, de 2.95%, porque eu prefiro 10.28%; eu sou contra a Selic, a taxa de juros de 7%, porque eu sou a favor dos 14.25%; eu sou contra a moralização das estatais, eu sou contra uma porção de coisas que nós fizemos. E, quem sabe, se for aprovada a reforma da Previdência, eu sou contra a reforma da Previdência. Eu duvido que alguém venha a assumir uma candidatura dizendo isso, porque eu acho que isto se incorporou ao nosso sistema. E veja que em pouquíssimo tempo, um ano e oito meses, depois de nós termos apanhado o País numa recessão extraordinária, nós conseguimos fazer o que nós fizemos, nesse período.Portanto - viu, Reinaldo? -, eu duvido que alguém venha a combater dessa maneira. Agora, tem que ter um candidato que defenda o legado do governo. Eu vou ficar de olho nisso.

Jornalista: Agora, presidente, o ex-presidente Lula, por exemplo, é o candidato de oposição, ataca o seu governo e é o líder nas pesquisas. O que o senhor acha que muda no cenário, na disputa eleitoral, com a inelegibilidade dele?

Presidente: Olhe, eu acho que muda o cenário, não é? Porque, de fato, ele é um líder, já foi duas vezes presidente, tem votos, as pesquisas estão revelando isso. E revelam hoje, porque aqui eu volto à resposta anterior, revelam hoje, podem não revelar amanhã, não é? Agora, inegavelmente, ele é um líder popular, se ele for candidato, vai ter os votos dele, não é? E aí o Reinaldo também tem razão: é preciso ter um único candidato que represente uma outra facção, que até seria útil. Essa história de você ter muitos partidos, com muitos candidatos, você diversifica até a opinião atenta do eleitor. O ideal seria você ter um candidato com estas posições, alguém que diga assim: Olhe aqui, vou destruir tudo que o Temer fez, e outro que diga: Eu vou manter e vou continuar aquilo que o Temer fez, seria útil para o País.

Jornalista: E o Alckmin não é o melhor colocado, nesse sentido?

Presidente: Eu acho que ele é um bom candidato. Agora, você não me pergunte quem é o meu candidato. Só me perguntem numa entrevista que vocês me convidarem em junho deste ano.

Jornalista: Presidente, eu vejo o Brasil um pouco retraído na área internacional. Por exemplo, eu vejo pouca atividade política brasileira no caso da Venezuela. Nós vamos continuar um pouco nesse banho-maria, com o que acontece na ditadura da Venezuela?

Presidente: Olhe, você sabe que nós não... me perdoe, mas nós não estamos num banho-maria, não. Primeiro, eu presidi o Mercosul no semestre passado. Nós afastamos a Venezuela do Mercosul. Nós não permitimos a permanência da Venezuela no Mercosul.

Jornalista: Mas isso tudo é retórico.

Presidente: Não, são ações concretas, porque eles não participam do Mercosul. Eles retiraram o nosso embaixador, nós retiramos o nosso embaixador de lá. Ou seja, nós estamos tomando medidas diplomáticas, em relação à Venezuela, o que é uma situação gravíssima. Você sabe que o número de refugiados, hoje, em Roraima, enfim, que entram a todo quase mil por dia, hoje ultrapassa quase a casa de 40, 50 mil refugiados. Nós temos preocupação humanitária com a Venezuela. Qual é a nossa relação com a Venezuela? Não é relação de governo a governo, é uma relação institucional, é de Estado a Estado. Portanto, nós fazemos tudo para prestigiar o povo venezuelano, mas nos opomos, por gestos, atos, declarações, a todas as atitudes que vêm sendo tomadas na Venezuela. Ainda recentemente, falando ao telefone com o presidente Juan Manuel Santos, da Colômbia, nós acertamos que a eleição lá não deveria dar-se neste semestre, porque o presidente atual, o presidente Maduro, marcou eleição para este ano e a oposição não consegue se arrumar para lançar um candidato. Então, nós estamos propondo que seja no segundo semestre essa eleição. Ou seja, estamos tomando medidas diplomáticas. Não tomamos, naturalmente, medidas intervencionistas, de natureza militar, isso nós não fizemos e também não vamos fazer.

Jornalista: Presidente, houve ontem uma manifestação de juízes, em frente ao Supremo Tribunal Federal, para manter o auxílio-moradia. Muitas dessas associações também lutam contra a reforma da Previdência. Não é uma tentativa de manter privilégios?

Presidente: Olhe, é uma tentativa de manter o estado atual das coisas, não é? Que nós, de fato, achamos que é impróprio. Eu penso - viu, Amanda? - que há muitos juízes e promotores, e vários que ganham acima do teto da Previdência Social, que admitem essa fórmula que nós estamos propondo. Agora, é natural que haja um movimento corporativo. Isso não deve nos assustar.

Jornalista: Mas não virou uma farra esse negócio do auxílio-moradia?

Presidente: É, isto é uma matéria que o Supremo vai decidir. E eu tomo muito cuidado com isso, porque eu sou muito consciente da separação de Poderes, e hoje eu falo como presidente da República. Se eu der um palpite sobre isso, eu estou, de alguma maneira, interferindo numa competência que não é do Executivo, mas é do Judiciário. Como o Judiciário logo vai pautar essa matéria, o Judiciário vai decidir se mantém ou não mantém.

Jornalista: Presidente, não se falou mais em parlamentarismo, nem num sistema misto, nada, o voto distrital, acabou, acabou, sumiu essa conversa, no meio político. O que o senhor pensa, neste momento, da nossa instituição e o que deve ser modificado?

Presidente: Eu acho que eu vou voltar a esse tema, viu, Bóris? Porque eu já pratico uma espécie de semi-presidencialismo. Eu não tomo o Legislativo - você sabe que eu passei 24 anos lá, não é? -, eu não tomo o Legislativo como um apêndice do Poder Executivo. Eu tomo o Legislativo como um parceiro de governo do Poder Executivo. Isso deu certo. Quando eu relato todas as conquistas que nós tivemos, ao longo do tempo, foi com o apoio do Congresso Nacional. Então, eu não acho improvável, e eu próprio seria, digamos, um dos patrocinadores dessa tese, dizendo o seguinte: olha aqui, diante de uma experiência de muito êxito que nós tivemos, nesse período, eu proponho uma espécie não falo em parlamento, mas um semi-presidencialismo, quer dizer, uma coisa do tipo português, de Portugal, ou do tipo francês. Eu acho uma coisa que poderia ser levada adiante, seria útil para o nosso País.

Jornalista: Presidente, uma última pergunta. O senhor mesmo define o seu governo como um governo reformista. De fato, várias mudanças importantes e reformas foram aprovadas, a da Previdência está aí, a gente não sabe se passa ou não. Mas aí, no meio do caminho, houve as duas denúncias da Procuradoria-Geral da República. Como isso mudou o rumo do seu governo e como é que o senhor acha que vai entrar para a história?

Presidente: Em primeiro lugar, não mudou o rumo do meu governo. Na verdade, é interessante - viu, Amanda? - aliás, agradeço a pergunta.

Jornalista: Não mudou o rumo dos acontecimentos, não do seu governo. Acho que eu não me expressei bem.

Presidente: Eu até agradeço a pergunta, porque é interessante, os meus detratores, e eu, de uns tempos para cá, de janeiro para cá, eu estou começando a desvalorizar essa coisa de dizer que o presidente da República se mete em falcatruas. Você veja, quem me detratou, quem me acusou, está na cadeia, está na cadeia. Quem não está na cadeia, está desmoralizado. E desmoralizado porque foram desmascarados pelos fatos. Desde aquela gravação, digamos assim, pouco oportuna, que os agentes lá, da empresa, da JBS, dialogaram, e foi cair nas mãos do Procurador-Geral e, em função disso, até foram presos, porque lá se dizia o Procurador-Geral quer derrubar o presidente da República. Depois aquele procurador ficou preso 70 dias, sem ser ouvido, em nenhum momento, quando saiu fez declarações dizendo: O procurador queria derrubar o presidente da República. O advogado, que também ficou preso, saiu, deu uma declaração dizendo queria derrubar o presidente da República. O próprio ex-deputado Eduardo Cunha disse: Olhe, não aceitaram a minha delação porque o procurador insistia que eu acusasse o presidente da República, e como não poderia fazê-lo, não optaram pela minha delação, foram buscar delação de outras pessoas. Ou seja, foram desmascarados. E sobre terem sido desmascarados, por isso que agora eu estou numa campanha muito forte, porque mais valiosa do que a Presidência da República, do que a vida pública, é a minha idoneidade moral que, eu reconheço, foi enlameada por esse pessoal mais, digamos, inadequado, tanto do setor privado quanto do setor público, que investiram contra o presidente da República. Então, desmascarados que estão, me permitem vir aqui e responder como estou respondendo a você. Primeiro ponto. Segundo ponto, muito rapidamente, isso não paralisou o governo. Isso foi em maio e junho, e vejam que em maio e junho tínhamos combatido a recessão, e a partir de junho e julho é que o País começou a crescer, não é?

Jornalista: Mas atrapalhou a Previdência, não é?

Presidente: Sem dúvida, naquele momento atrapalhou. Talvez até tenha sido proposital.

Jornalista: Presidente Temer, eu queria agradecer, em nome da RedeTV e do RedeTV News, a sua presença em nosso telejornal e desejar-lhe boa sorte.

Presidente: Muito obrigado, agradeço muito.

Jornalista: Muito obrigada pela sua presença e pela sua participação, presidente. E boa sorte também.